Hereditariedade ou Meio?

Hereditariedade ou Meio?

O ser humano e o seu desenvolvimento é algo muito complexo que tem vindo a ser estudado ao longo da história. O nosso desenvolvimento e a forma como as nossas características são influenciadas é algo complicado que pode ser respondido por diversos fatores. Portanto, a grande pergunta que não quer calar: "Hereditariedade ou meio? - Qual destes influencia mais o desenvolvimento do ser humano?", não tem uma resposta assim tão simples.

Tanto a hereditariedade como o meio estabelecem os limites com que uma dada característica se manifesta, estes dois fatores estão em interação: a hereditariedade define os limites de expressão, e o meio responde pelas derivações típicas que uma característica pode vir a apresentar. Para explicarmos melhor este fenómeno, vamos recorrer à matéria da genética (explicação do que é a genética presente anteriormente no portefólio).

Falando muito resumidamente da importância da genética para este tema, nesta aborda-se a informação genética presente em cada ser humano, aborda-se então conceitos como ADN, cromossomas e gene (conceitos abordados anteriormente no portefólio).  Estes são os três grandes responsáveis quando se fala do conceito de hereditariedade.

Agora falando no meio, como o próprio nome diz é o meio em que nos inserimos durante a nossa vida, desde a nossa infância até à morte. No entanto, o meio em que estamos inseridos nos primeiros anos de vida é crucial para a forma como nos vamos desenvolver e para como as nossas características se vão manifestar.

Como já disse, tanto a hereditariedade como o meio são influentes na forma como as nossas características se desenvolvem, e já dizia Well (1982): "O gene é a causa necessária, mas não necessariamente suficiente". Esta afirmação justifica-se no seguinte exemplo: a estimulação ambiental, antes de ocorrer a maturação da estruturação física, não leva a criança a andar, mas a ausência da estimulação ambiental no momento da maturação da estruturação física pode comprometer seriamente ou até mesmo impedir a criança de andar, provando mais uma vez esta interrelação. Temos como exemplo emblemático as crianças-selvagens que não aprenderam a andar de pé.

Portanto concluindo - Herediteriedade ou meio? - Resposta: os dois dependem um do outro, nenhum é autónomo e correlacionam-se. Há quem defenda que um influencia mais que o outro, mas na minha opinião e na opinião dos entendidos a hereditariedade não se pode exprimir sem um meio adequado.


John Nash

Dados Biográficos

John Forbes Nash nasceu a 13 de junho de 1928 e foi um matemático norte-americano que trabalhou com diversas teorias, como a teoria dos jogos, geometria diferencial e equações diferenciais parciais, trabalhando como Matemático Sénior de Investigação na Universidade de Princeton. Ganhou o Prémio Nobel de Ciências Económicas em 1994. Veio a falecer a 23 de maio de 2015.

Condição Genética/ Patologia

John Nash sofria de esquizofrenia, um transtorno mental caracterizado por episódios contínuos ou recorrentes de psicose (perda de contato com a realidade), alucinações, delírios, pensamento e comportamento anómalo, redução de demonstração de emoções, uma piora da função mental (cognição) e problemas no desempenho diário, incluindo no âmbito profissional, social, relacionamentos e autocuidado. Estes sintomas vão se manifestando, na maior parte das vezes, na idade adulta.

No matemático, estes sintomas começaram-se a manifestar já em adulto e este chegou a ser internado pela sua patologia. A sua patologia levou ao divórcio da sua esposa Alicia Nash.

Hereditariedade ou meio? Qual o fator mais relevante (nesta patologia)?

A esquizofrenia em si é uma combinação de fatores, como fatores hereditários, ambientais e também alterações neuroquímicas. Nos fatores hereditários temos o facto de que parentes de 1º grau de um esquizofrénico têm mais chances de desenvolver a doença do que o resto das pessoas em geral - este é o fator mais significativo, relevante e com maior importância no que toca à possibilidade de ter este transtorno. Nos fatores ambientais temos algumas complicações na gravidez e no parto que podem alterar o sistema nervoso durante a gestação. Por último, temos a possibilidade de poder desenvolver este transtorno através de alterações químicas, ou seja, problemas com certas substâncias químicas do cérebro que se podem desenvolver quando se usa drogas psicoativas, por exemplo.

Convém ressaltar que por mais que estes sejam fatores comuns e relacionados à presença da esquizofrenia, nem sempre significa que quem tem a doença apresenta algum destes fatores, e é disso que vamos falar agora, isto porque John Nash não apresenta nenhum destes fatores anteriormente referidos.

Será que foi influência da hereditariedade ou do meio no caso particular de John Nash?

A resposta é: provavelmente nenhum dos dois. Digo isto porque não encontrei informações sobre Nash ter algum parente com este transtorno, tal e qual como o seu meio não foi propício ao desenvolvimento desta patologia. John Nash teve uma infância completamente normal, a única diferença é que era mais reservado que as outras crianças da sua idade e desde cedo demonstrou interesse e fascinação por experiências científicas. Este tinha uma irmã com quem partilhou a sua infância, esta não apresenta quaisquer indícios de esquizofrenia.


Galeria de Fotos de John Nash


John Nash a receber o Prémio Nobel


"Uma Mente Brilhante"

"A Beautiful Mind" - "Uma Mente Brilhante" é um filme norte-americano de 2001, do género drama biográfico, dirigido por Ron Howard para a Universal Studios e DreamWorks, com roteiro de Akira Goldsman baseado no livro "A Beautiful Mind: A Biography of John Forbes Nash, Jr., Winner of the Nobel Prize in Economics", 1994, de Sylvia Nasar, que conta a história do matemático John Forbes Nash e sua luta contra a esquizofrenia.

Foi um filme muito aclamado e ganhou diversos Óscars e Globos de Ouro.

O filme apresenta críticas muito boas, que apenas criticam o facto de que tem presente informação que não corresponde à realidade da vida de John Nash (ex: não retrata o divórcio com a sua esposa). 

Opinião de pessoas conhecidas

"Gosto muito deste filme! Já o vi várias vezes e recomendo, apenas o acho um pouco confuso..."

Mãe

"Vi este filme faz 15 anos por aí, mas lembro-me que gostei. Muito interessante e merece ser visto pelo menos uma vez."

Mãe do meu namorado


"Já vi imensas vezes este filme, gostei bastante e recomendo que o vejam!"

Pai



Porque escolhi falar deste tema?

Decidi falar deste tema porque fizemos um trabalho em sala de aula sobre o mesmo e porque achei interessante aprofundar-me ainda mais do que o pedido para tentar saber diversas coisas, principalmente sobre John Nash e a sua patologia. Também já convivi com pessoas portadoras de esquizofrenia e interessei-me por tentar saber como é que esta patologia atingia e afetava os indivíduos. 

Este trabalho foi realizado em grupo com a aluna Núria Lopes.

A parte das opiniões de pessoas conhecidas é de autoria própria.

Data: 03/11/2024

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